Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

Nem o tempo...

O tempo não traz alívio,
Mentiram-me todos.
Os que disseram que o tempo amenizaria a minha dor!
Sinto a sua falta no choro da chuva.
Quero a sua presença no recuar da maré.
A velha neve escorre pela encosta de cada montanha.
E as folhas do outono viram fumaça em cada caminho.
Mas o triste amor do passado deve permanecer em meu coração.
E meus velhos pensamentos perduram.
Há centenas de lugares dos quais receio ir, por estarem tão repletos da lembrança dela.
E ao entrar com receio em algum lugar tranqüilo, onde seu pé nunca pisou, nem seu rosto brilhou, eu digo:“Aqui não há nenhuma recordação dela”.
E com essa lembrança, paro arrasado e me lembro tanto dela.
Porque aqui estou eu em todos esses lugares.
Lugares onde ela nunca esteve e nunca estará.
Então eu choro...
E cada lágrima que escorre por minha face, representa um vazio sem fim e sem volta, que hoje ocupa o lugar do meu coração.
Sigo se permitido...
Com o peito sufocado, oprimido, com a alma cheia de tristezas.
Com o corpo cheio de cicatrizes.
Com uma dor em meu peito que não tem tamanho nem fim.
E às vezes como se ouvira o vento, escuto sua voz dizendo.
¿Quieres que rece para que tú también te mueras?

Para mina irmã Gilmara Gabriela, que nos deixou em 23 de abril de 2007.

Sexta-feira, Julho 04, 2008

C’est toujours l’hiver dans le fond de mon coeur!


Insone!!!

Sua intensidade, sua graça mudara a maré em mim.
E nenhuma força lunar pôde reverter;
Uma noite cega: ou coisa pior!
Um descuido que me faz sentir deprimido.
Enquanto isso, insone, busco o ar.
Penso que vi meu futuro traçado na areia.
Uma tarde como permanência.
Como entalho na carne, como a morte.
E peço por um esquecimento tão profundo.
Que termine em transformação.
Apenas a aurora pode me salvar.
Que encha essa assombrosa casa do sono, da solidão e das lágrimas, de luz.
E que espante os fantasmas e sossegue meu coração demasiado pequeno e aflito.
Esses fantasmas que a noite avisa...
Outra vida é tudo que preciso para traçar os segredos guardados em mim.
Intensidade de sofrer e acabar de vez com a mágoa que arrasto em mim e por mais que eu tente ameaça nunca mais me deixar viver!!!
Brasília/DF, 24/5/2007

Calma Turbulência!!!


Ninguém venha me dar vida

Ninguém venha me dar vida
Que estou morrendo de amor
Que estou feliz de morrer
Que não tenho mal nem dor
Que estou de sonho ferido
Que não me quero curar
Que estou deixando de ser
E não quero me encontrar
Que estou dentro de um navio
Que sei que vai naufragar
Já não falo e ainda sorrio
Porque está perto de mim
O dono verde do mar
Que busquei desde o começo
E estava apenas no fim
Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
Para as águas e os corais
Fim ditoso, hora feliz:
Guardai meu amor sem preço
Que só quis quem não me quis.
(Cecília Meireles)

Quarta-feira, Setembro 26, 2007

INSONE

Insone

Sua intensidade, sua graça mudara a maré em mim

E nenhuma força lunar pôde reverter tanta dor

Uma noite cega: ou coisa pior

Um descuido que me faz sentir deprimido

Enquanto isso, insone, busco o ar

Penso ver meu futuro traçado na areia

Uma tarde como permanência

Como entalho na carne

Como a morte

E peço por um esquecimento tão profundo

Que termine em transfiguração

Apenas a aurora pode me salvar

E que inunde essa assombrosa casa do sono

Da solidão e das lágrimas de luz

E que espante os fantasmas

Sossegue meu coração demasiado pequeno e aflito

Afastem esses fantasmas que a noite avisa

Outra vida é tudo que preciso

Revelar os segredos guardados em mim

Que diminua a intensidade de sofrer

Acabe de vez com a mágoa que arrasto em mim

E por mais que eu tente

Ameaça nunca mais me deixar sentir a vida.

Brasília/DF, maio de 2007

Terça-feira, Junho 06, 2006

"Meu amor!!! Se quiseres voltar. Volta não! Porque me quebraste em mil pedaços!"

Sexta-feira, Junho 02, 2006

Eu tenho duas mãos e o sentido da vida. Com uma eu tento segurar a tua, com a outra, seguro tudo o que não mais existe!!!

Cinzas de Dezembro nº 1

Cinzas de Dezembro nº 1

Eu descobri

Que sou um colecionador

De dezembros gelados

Um homem sem luz

E sem casa

Vivo desesperado

E embriagado

De recordações

Abatido pelas águas

Que brotam de meus olhos

Toda madrugada

Sempre me sinto triste

E penso que cheguei ao fim

Sinto que meus passos

Tornaram-se pesados

Quisera eu às vezes

Dominar o vento

Que invade o meu coração

E acabar com a imensa solidão

Que habita meu peito

Sem teu amor

Me sinto vazio e frio

É sempre inverno

No fundo de meu coração

E como se eu fosse dezembro

Me torno cinzas

E sei que um dia hás de sentir

Meu corpo

Mesmo sem vida

Junto ao teu

Abre a casa dos teus braços

Abre a casa dos teus braços

Poderia eu saber

Sentir

O calor

Dos teus beijos

Abomino essa emoção

Surda e palpitante

Essa emoção

Terrível e úmida

Perco o sono

E da janela

Vejo o vulto

Dos mortos

Eles me chamam

Abro a porta

Adeus

Um infinito

Sem nome

Um olhar

De silêncio

Uma cadência

De bocas fechadas

Mudas

Mortas

Silenciosas

Este é o tempo

Em que estou

Te rogo

Abre a casa

Dos teus braços

E uma única vez

Abraça-me

Os ossos de minha face

Estalam

Como se quisessem

Cantar uma canção

Ou algo dizer

É algo lento

E ao mesmo tempo

Profundo

Uma nota

Um nome

Sem ar

Forçosamente

Tenta romper

Minha garganta

Sangra

Não sinto mais

O meu coração

E meu peito se dilacera

É quando

Vejo

Tua presença

Sair

De dentro

De mim

E agora

Tudo

É

Escuridão

Vazio

Vazio


Lá fora

O vento teima

Por ausência

Como a falta

De portas

Para que

O deixem

Entrar

E que ele

Possa

Mostrar-se

A si mesmo

Aqui estou

Eu

A solidão

Constante do

Todo

À noite

Vazia

As intrínsecas

Emoções

Que me

Aguardam

A agonia

Chamada amar

É quando

Vejo

O vazio

Muito além

De mim

Mesmo

Tempo

Tempo


Não há noites

De vento sossegado

Nem luar que ilumine

Meus ossos

Quão estranho

É esse lugar

Onde descanso

Nunca a dor

Ocupou tanto

Espaço

Dentro de mim

Hoje

Não sei mais

Quem sou

Ontem

Já não sabia

E amanhã

Pressinto

O nada

Que se aproxima

De minha

Cama

Calma

Serena

A levar-me

O tempo

Alucinação

Alucinação


Um dia olhei em teus olhos

E vi que eles respiravam

E que de tuas costas

Emergia uma sombra

Decidi me aproximar

E tu

Costurasse as minhas mãos

E me dissesse palavras obscenas

Depois ficou uma semana inteira comigo

Você me amou

Me debilitou

Arrancou e dilacerou a minha alma

Dei voltas dentro do vazio

Meus olhos caíram

Dentro de tua boca

Ouvi teu grito

Te beijei

E tua boca mastigava

Os meus beijos

E naquele exato momento

Em que pensei sentir o amor

Mais forte que o vento

Você me disse adeus

E toda a dor do mundo

Desabou sobre meu peito largo

E desse vazio dia que ficou

Sinto a minha vida apagar-se

Permaneço vivo

Ainda que sem teu amor

Mas a cada passo que dou

Sinto que caminho

Sobre os restos de tua

Ausência

Absorção

Absorção


Já noto minuciosamente

Cada insinuação de desprezo da terra

Como qualquer prenúncio

De humilhação vindo do céu

Abro a caixa negra da alma

E percebo a indiferença das flores

Sinto o gosto amargo de tua boca

E vejo com simples olhos

A naturalidade com que me negas

O sangue de tuas veias

Tu vens e joga sal em meus olhos

Sinto que a minha amargura

Se deve a coisas pequenas

E sem importância

Pressinto que não é necessário ser deus

Para viver no inferno

A recordação não me serve para navegar

Somente para o naufrágio

Mesmo assim ainda creio

Tudo isso é meu esforço por coerência

E a única recordação que tenho

É que tudo que fui está perdido

Abuela

Abuela

Acordo e o céu está escuro

Recordo a morte de minha abuela

E vejo todos os espíritos que a rodeavam

Acendo uma vela

Vejo uma caixa negra

Nela há meu nome

Ouço o vento

As gotas de chuva

Sinto frio

E a imaginação me leva

Como é este lugar

Onde está minha avó

Morta

Sem hesitar

Abro a caixa

Sinto o peso da solidão

Sobre minhas costas

Mas meu rosto reflete uma

Solidão imensa

Quando vejo minha vó

Vir em minha direção

Amnésia

Amnésia

Não necessito de memórias para recordar

Minha vida não tem nome

Não há nada que mereça ser recordado

Houve um tempo em que sentia

As agulhas do vento em meu sangue

E os minutos eram para mim preciosos

Sobrevivo nessa selva onde renasço a cada dia

Sobreposto na palma de tua mão

Houve um tempo em que as palavras

Me saíam vivas como a água

Agora minha carne está morta

Sou como uma pedra

Que evoca a memória do tempo perdido

Houve um tempo em que me sentia pássaro

E voava

Mesmo sabendo que não possuía asas

Pensava eu que podia tocar teus beijos

Um amor à distância

Isolado

Morto

Absorto e perdido no vazio de amar

Logo me transformo em ar

Liberdade e angústia

Quando entro em mim

Vejo-me a morrer aos poucos

Sou um pássaro na gaiola

Agora a minha palavra evoca

Tantas coisas mudas

Não há nada

Só vazio

Maldita realidade

Como posso eu viver sem recordar?

Desertos

Desertos


Sou uma estátua de gelo

Frio

Quarto

Solidão

Chega à noite

Tenho desertos

Dentro de mim

Não há sangue

Em minhas veias

Só imensidão

Chove dentro de mim

Transbordo

Perco a calma

A alma

O silêncio

Me atordoa

Imagens desfiguradas

Saltam de meus olhos

Amanhece

Tenho oceanos

Dentro de mim

Tempestades

Violentas ondas

Novamente

Adentra a noite

Tenho desertos

Dentro de mim

Vagueio

Deliro

E na insistente

Vida que arrasto

Escrevo com meu sangue

O teu nome

E assim deixo a vida

E te digo adeus

Horas Mortas

Horas Mortas


Com seu vestido branco

E perfume de morte

Passeia a agonia

Pelas estreitas ruas

De minha vida

Com seu vestido negro

E perfume de passado

Passeia a angústia

Pelas estreitas ruas

Do meu penar

No caminho as duas

Encontram-se

Despem-se

E de mãos dadas

Ficam como loucas

A olhar o mar

Nesse dia a terra parou

No céu não havia estrelas

Nem luar

Esse foi o dia em que meu corpo

Desceu ao mar

Enquanto a vida

Me deixava

Pensei ter visto

Teu rosto

Sentido

Teu afago

Mas

Eu não podia mais

Voltar

Cinzas de Dezembro nº 2

Cinzas de Dezembro nº 2


Sinto e percebo

A ansiedade

Que me deixaram

As cinzas de dezembro

Imagens de um

Violento amor

Atrelado a uma vida

Sem rumo

Como as respostas

Que nunca terei

Destroços de meus

Ossos dispersos

É a vida

Que me falta

Não tenho respostas

Elas aparecem em

Idiomas incompreensíveis

Não me esforço

Por respostas

Hoje sei

Elas não me ajudariam

A recuperar o tempo

Que não volta

Teu sorriso

Teu Sorriso


Dá-me tua mão

E nada mais importa

O silêncio nos impede

Bocas fechadas

Retraídas

Monótono vácuo

Entre você e eu

Não há gesto

Algo se move

Posso ver teus lábios

Por cima

Do céu e do inferno

Então eles vêm

Abrindo-se como asas

É quando vejo

Teu sorriso

É isso já é suficiente

Palavra Velada

Palavra Velada


Ao abrir pela metade

O meu significado

Sinto algo que se move

Em demasia dentro de mim

É quando saio no mundo

Em busca de mim mesmo


Ao abrir meu corpo ao meio

Só encontro palavra velada

A minha alma escorre

E sai de mim

E para cada palavra

Que ponho no mundo

Encontro o vazio da dor

Sem alma

Me sinto só

Meu ser está oco

Meu coração ainda pulsa

Não tenho mais vida

E percebo

No vazio de meu eu

Que meu sangue

Virou veneno

Volta

Volta


Sinto uma maldição

Está vivendo em todas as partes

Lugares onde nunca estive

E onde nunca regressarei

Buscando o sentido de voltar

Submergir sem respirar

Dos lugares obscenos da alma

Despedaçar os pensamentos

Tudo acabar

Palavra por palavra

Não tenho morada

Nem repouso

Já não me possuo

Não tenho

A mim mesmo

Sigo vazio

Distante

Sangrando

Sem querer

Voltar

Morrendo

Por não saber

Ficar

Bocas Desunidas

Bocas Desunidas


Não consigo ir nem voltar

Seguro as emoções dos acontecimentos

Como estações que se abrem para mim

Há um desespero agudo

Atrás de cada porta

Que suprime o passar dos segundos

Procuro uma forma diferente de morrer

Acabar com tudo que carrego em mim

Sentar-me-ei sobre a noite escura

Alma já não possuo

Palavras é o que me restam

E quando o fim chegar

De mim só restará a boca

Numa espera aterradora

Da ausência de teus beijos

Espelho

Espelho

Adormeci sobre

Um leito de veneno

Acordei

Acorrentado a noite

Mordi o espelho

Que sangrava

Diante do outro

Percebi que estava

Morto

E mesmo que a

Vida

Me tenha faltado

Ainda sinto

A dor da

Solidão

Meu nome

Meu Nome

De ampulheta na mão

Com seu vestido negro

Montada no vento

E perfume de escuridão

Chega a noite

Batidas insistentes

Em minha janela

Calma

Em coma

Silenciosa

As horas

Se levantam

A solidão

Bate a porta

De meu peito

Estático

Pálido

Tácito

Remorsos

De uma vida inteira

Aos pedaços

Repouso sobre

O vazio de você

Meu sangue

Grita teu nome

Por onde passo

Tudo perde

A vida

Se esvai

As pedras

Mudam de lugar

Não há caminho

Só escuridão

E os restos de

Tua presença

Flores Mortas

Flores Mortas

Meus olhos vergam

Só vejo flores mortas

Árvores retorcidas

Agouro

Uma canção chamada

Saudade

Sigo amaldiçoando teu olhar

Tudo que toco

Vira pó

Meu corpo

Se dilacera

Renasço

A cada instante

Tenso

Um pássaro negro

Grita meu nome

Sem saber

Sentir

Sigo

Sem descobrir

Porque o amor

Foge

De

Mim

Alfinete

Alfinete

Trago comigo

Um coração angustiado

Tenho alguns amigos

Na cabeça de um alfinete

Tento ser

Tudo que sou

Mostrar-me

A mim mesmo

E nada me basta

A cada dia sinto

A dor mais forte

E meu coração

Sucumbe no vazio

Que é amar você

Uma imensa tristeza

Ocupa todos os

Meus espaços

Sigo inerte e só

A procura de algo

Mas como encontrar

O que não se busca?

Dentro de mim só há

Vazio e dor

Sangro sem saber porquê

Sofro sem querer saber

E sinto com as forças que me restam

Que o fio que me liga a vida

Muito em breve irá romper-se

O que encontrarei não sei

Apenas desejo que

O que me reserva

A falta da vida

Não me seja pior

Do que o vazio que vivo

E maior que a dor

Que hoje

Arrasto comigo

Quinta-feira, Junho 01, 2006

Da mesma matéria que é feito o sonho

A solidão arde em meu ser,

O ar que agora respiro, chama-se saudade.

E nas podres artérias do meu corpo vil.

Correm veneno e sangue negro,

Que aos poucos vão transformando-se em morte.

Não suporto mais viver.

Sinto uma angústia terrível e uma melancolia mordaz.

Calmo e sereno anseio a morte.

É...

Não sei amar.

Sei o que é estar só.

Hoje sinto na alma o que é a solidão.

E o tempo mostrou-me a tristeza que agora sinto.

Tenho sonhos negros que me fazem delirar.

Lembro dos teus lábios úmidos junto aos meus.

O teu corpo nu e suado a clamar o toque da minha língua ardente.

A explorar o teu pudor, o teu sexo.

Odeio a tudo isso,

Odeio esses momentos,

Mas não consigo te odiar.

Agora até a morte me odeia.

E eu, até quando arrastarei tanto sofrer.

Até quando o meu ego sustentará está mórbida e doentia lembrança dos momentos que ao teu lado vivi.

Como esquecê-los se tudo que eu vivi foi por você.

Não consigo suportar tanta dor.

O que farei?

Eu sou o próprio nada preenchido de vazio.

Sou a própria solidão manchada do viver maligno e angústias eternas.

Eu odeio o sonho.

Agora o meu nada antes vazio, torna-se febril e arrebatador.

Você foi um sonho,

Você veio em forma de sonho,

Para mim você é da mesma matéria que é feito o sonho.

O meu sonho perdeu-se no infinito do obscuro.

Agora mas do que nunca será triste o meu penar.

E no último sonho, feroz e sangrento.

Vi o teu olhar entre uma névoa macabra e dançante, onde ouço vozes de loucura insana.

E em meio a gritos de dor.

Eu vi a face da morte, e ela estava viva.

Abraçou-me e levou-me consigo para o além.

Para junto daqueles que se foram para sempre.

E você que agora lê, pôde sentir um pouco de uma desilusão arrogante e aterrorizante.

E saiba que...

Todos se afastam quando o mundo está errado.

Alteração do sono

Alteração do sono


Eu queria dormir eternamente até o fim.

Um sono único e obsoleto, esperando o instante momento,

Em que hás de ser meu...

Essa hora não chega!?

E o tempo te separa de mim.

Eu gostaria de jamais acordar.

E que esse sonho morresse comigo.

Se eu pudesse voar dentro do tempo.

Passado adiante,

Saltar as horas infinitas e vazias de ti.

E voar até o momento de todos os momentos...

Onde serias meu...

Mas se esse segundo me falta.

Se todo o tempo eu pudesse parar.

E se tudo fosse inútil, o tempo, as horas, os minutos e segundos.

Eu gostaria de desviver para trás, hora por hora.

Parar o tempo e dele ficar eternamente, prisioneiro...

Aquele instante em que sorrias e me fizestes chorar...

Porta estreita

Porta estreita


Da sombra que vivo,

Alimento-me,

Do sono profundo,

Louco e aterrador,

Busco teu nome.

Anseio a morte,

Por não te ter.

E diante dessa angústia,

Que me alucina,

Tenho-te perto dos olhos,

E para sempre longe do meu coração.

Diante do vácuo que me alucina,

O mais difícil é suportar

O vazio do porta retrato.

O vazio de amar você

O vazio de amar você


Quem me dera ser leal e discreto como a minha sombra.

Redescobrir o amor insano que habita o meu eu.

Matar as partes medonhas que cercam a minha estúpida vida.

Dilacerar o resto vil de meu corpo.

Sucumbir no aterrador e obscuro leito da morte.

Envenenar a paixão.

Sufocar o desejo.

Reprimir a ânsia de te amar.

Quem és tu diante de mim.

Quem sou eu diante de ti.

Chorar e sofrer é o que me resta.

A vagar e a penar pelos desvios que o destino me reservou.

Ando em corpo só.

Ando em mente desvario.

Ando morto em pensamentos.

E a enlouquecer estou.

Diante deste vazio que o teu amor deixou.

No obscuro desejo de te amar

No obscuro desejo de te amar

A meia-noite a angústia se veste de branco e fica como louca a olhar o mar.

Diante de tanto sofrer vejo-te dizer adeus.

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar-te até o fim.

Para mim a tua presença é qualquer coisa entre a luz e a vida.

Sinto que em meu gesto existe o teu gesto.

E em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.

Quero arrancar a tua presença de minha pele.

Que então esta presença maldita que me alucina se perca no passado sem poder mais voltar.

Eu te deixarei.

Tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Beijarás outros lábios que não os meus.

O suor do teu corpo se unirá a outro.

Então...

Encostarei a minha face na face da noite.

E ouvirei o íntimo de tua voz.

Da lama negra que palpita no fundo do meu coração.

Surgiu a tua presença misteriosa.

Agora que conheci o íntimo de tuas palavras, quero então te odiar.

Preciso destruir a parte de meus sentimentos que insistem em te amar.

Em te possuir.

Beijar teu corpo, teu sexo.

Entregar-me a ti.

Mas tudo que me resta são tristes lamentações.

No oco amargo deste penar.

Sinto a tua voz amarga.

Tua voz medonha.

Que mata...

Que faz calar...

E no fim hediondo do desprezo.

Eu mato...

Eu como...

Eu bebo...

E guardo o teu segredo...

Mas não posso te perdoar!

Algo medonho

Algo medonho

No intuito de perder o medo

Assassinei a tua presença de meus pensamentos.

Pois a sentia forte como a lava de um vulcão.

E no sofrer que me encontro agora.

Vejo-te como uma névoa macabra a sangrar.

Vejo-te sorrir para outras faces.

E esta perseguição aterradora de tua presença em meu ser me faz chorar.

A tua presença constante...

A tua presença ausente...

A tua presença serenizada...

Esta maldita presença que feriu meu ego e cortou a veia que me conduzia a vida.

E agora estou a sangrar e a morrer.

Arrastando comigo uma fúria maligna de desprezo.

No infinito de um amor manchado de sangue negro.

Vejo-te morrer em mim.

Levando consigo parte do meu eu que adoeceu e apodreceu de tanto te amar.

O ósculo medonho

O ósculo medonho

O amor agora é podre.

Todas as mágoas existentes agora são libertadas.

E as angústias mordazes explodiram fétidas.

De tua paixão bebi o sangue.

Do teu amor, veneno enlouquecedor.

Jorra o gosto perfumado que retém a minha língua.

Agora arrasto comigo uma legião de desejos mortos.

Mórbido e infame quero alimentar-me de tuas carnes.

Quero sugar-te para dentro de mim.

O teu caminho eu vou abrir com as minhas próprias mãos.

E o desejo de unir-nos será fugaz.

Os nossos corpos se entrelaçarão rumo ao encontro macabro.

Nossas almas gritarão as agonias do mundo.

Unidos em um só sangue, tu morrerás.

E o ódio me fará tremer.

Pois se calar-me as vozes hediondas ecoarão os quatro cantos da escuridão da noite.

E se fará ouvir que o amor nasceu do ódio.

Falar-te de medo será em vão.

É...

Vem que eu te mostro outro mundo.

Baterás na porta.

E ela se abrirá.

Ao entrares jamais retornarás.

Pois eu sou o ósculo medonho de uma morte obsoleta.

Que venha então a tua alma a sangrar.

E o teu repouso será perpétuo.

Lágrimas de puro ódio escorrerão diante de tua face branca.

Tua face sem vida...

Tua boca morta...

E eu te beijarei como uma eternidade.

Cortarei meus pulsos.

Sangrando então, verei o veneno deixado por ti esvair-se de mim.

Passagem de areia

Passagem de areia

Perdi-me no deserto

Porque eu não era nada.

Tentei reconstruir-me e não consegui.

A areia veio junto ao vento,

Tentei atravessar,

E o obscuro sangue negro que corria em minhas veias transbordou e eu chorei.

Chorei lágrimas odiadas pelo sol.

No deserto adormeci.

Tentei acordar.

Meu ego não permitiu.

Morri sozinho.

Sem passagem.

Sem amar.

Na areia.

Sem o mar.

Sob o sol.

A definhar.

Por ter tentado te amar...

A espada de Lúcifer

A espada de Lúcifer

Dia de cão.

Algo me sufoca a alma.

Choro contido, lágrima de sangue.

Prende-me o grito.

Lágrimas verdadeiras me faltam.

Gritos rondam a cidade.

Matam...

Apavoram-me...

Rapta-me o ar de revolta.

Contra essa cidade imunda/muda.

Religiões descrentes.

A arma que amamos encanta.

Causa pudor.

Sacia...

Consome.

A espada cálida do desejo que move o sexo.

A espada de Lúcifer e o feitiço da serpente.

O veneno do deus da cobiça que destrói e amaldiçoa.

Que fere e sangra...

Que transforma a garganta em azulejo.

Que ignora a vida...

Um esqueleto cantando a canção da morte

Um esqueleto cantando a canção da morte

Olhando para o passado.

Lembrei-me da dança da morte que dividimos sobre as estrelas da tristeza.

Por um momento colei meu corpo no teu e tive tudo.

Bebi teu sangue...

E o meu mundo caiu.

Fragmentos de uma alma louca pairaram no ar.

Onde está o meu lado que pode amar.

Apodreceu de tanto sofrer.

Apodreceu até a morte.

Na cidade nua, fria, silenciosa.

Ouço vozes insanas que me dizem.

Ame o garoto que segura a faca.

Ele te mostrará o outro lado do amor.

Aquele que fere e sangra,

Que corrompe a alma,

Dilacera e arranca a pele da alma,

Ele te lançará na escuridão perpétua,

Onde habitam criaturas que não sabem amar.

E neste fim medonho de angústias infinitas eu poderia ter perdido toda esta dor, mas eu teria que ter perdido a dança...

Ontem, ela deitou-se ao meu lado

Ontem, ela deitou-se ao meu lado

No meio de uma névoa fúnebre habita o meu eu.

Há dias este insano coração vem apodrecendo.

E então, começo a pressentir o beijo frio da morte que congela minha alma.

No meio dos delírios mortos, macabros e alucinantes ela dança para me fazer chorar.

Envolta numa chama negra que alimenta a maldade.

A desilusão de voar rumo ao inferno me faz tremer.

Sinto um momento próximo que me corta ao meio,

Seu sorriso ecoa os quatro cantos da escuridão.

E os medos que sempre prendi, vão sendo libertados um a um.

Percebo que estou indo embora.

Em uma noite fria, onde uma lua negra, manchada de sangue das almas sofridas que morreram de tristeza, reinava no céu escuro.

Ela deitou-se a meu lado...

Deu-me um cálice e disse-me.

Beba!

Este é o veneno do teu sofrimento.

Irás morar comigo, onde habitam as mais terríveis criaturas.

Arrancarei a tua pele...

Costurarei as tuas pálpebras com arame farpado em brasa...

E te lançarei na chama da maldade eterna onde para sempre lamentarás ter escolhido amar.

Mergulhado nas chamas amargas da solidão, bebi o veneno e entreguei-me em seus braços.

Era a morte...

Ela abraçou-me e levou-me consigo para o leito de Hades...

Quarta-feira, Maio 31, 2006

Carrego flores mortas dentro de mim!!!

O quarto

O quarto

A morte mora em meu quarto,

Disfarçada em solidão.

E destes cantos vazios de ti,

Espreito o estreito de meu recanto,

Onde acalento o espanto a procura do rumo,

Que me fez perder o prumo do desejado esperar.

A tristeza mora em meu quarto,

Disfarçada em lágrimas.

Que escorrem das paredes,

Acompanhado o meu triste sofrer.

A solidão mora em meu quarto,

Disfarçada em imensidão.

Dorme comigo, vela meu sono,

E passeia em meus sonhos ausentes de ti.

A tua ausência mora em meu quarto,

Disfarçada em maldição.

Tira-me a calma, me enlouquece a alma,

Destes dias tediosos sem ti.

A saudade mora em meu quarto,

Sem disfarces a me olhar.

E ninguém é capaz de sentir,

A dor que arrasto escondida em mim.

E hoje não sei mais quem sou.

Sigo arrastando sofrimento, angústia e dor.

Além de tua maldita presença que em meu peito o teu amor cicatrizou...

Sou/um/ser/só/sem/ser/seu

Sou/um/ser/só/sem/ser/seu


Vestido de angústias eternas,

O meu amor adormeceu.

Triste e só,

Vivo e me abomino no próprio inferno de meu eu.

Insano ser sou eu,

Que torna vil tudo que toco.

Ouço ao longe a voz da solidão,

Eterna companheira.

Minha mente gira e girando me faz retornar;

Passado obscuro.

Imagens tuas recalcadas e refletidas em estilhaços do maldito espelho de minha vida.

Mas te peço que não te vás.

Pois sem você sou poço oco.

Sou parede sem reboco.

Sou concha vazia de quem o mar esqueceu.

Sou vela apagada.

Sou escuridão da madrugada.

Sou planta sem flor.

Sou coração sem mor.

Sou barco sem vela.

Sou pintor sem aquarela.

Sou vitrola sem tocar.

Sou noite sem luar.

Sou peixe fora do mar.

Sou poema sem rima.

Sou uma rua sem esquina.

Sou lagoa rasa.

Sou um pássaro sem asas sem poder voltar pra casa.


Sou um ser/só/sem/ser/seu.

“Mas meu amor!

Se quiseres voltar,

Volta não!

Porque me quebrastes em mil pedaços.”

O fim

O fim

Sou o último.

O último olhar.

O último beijo.

O último abraço.

O último suspiro.

O último adeus.

Sou a última.

A última lágrima.

A última palavra.

A última canção.

A última estrela.

A última paixão.

Vejo o fim.

Vazio e escuridão.

Sinto o fim.

Testemunha e solidão.

Pressinto o fim.

Teu amor que é maldição.

Sou o fim.

Fui o fim.

E no fim deste fim sem fim...

Sempre amarei você.

Eternamente e até o fim.