Insone
Sua intensidade, sua graça mudara a maré em mim
E nenhuma força lunar pôde reverter tanta dor
Uma noite cega: ou coisa pior
Um descuido que me faz sentir deprimido
Enquanto isso, insone, busco o ar
Penso ver meu futuro traçado na areia
Uma tarde como permanência
Como entalho na carne
Como a morte
E peço por um esquecimento tão profundo
Que termine em transfiguração
Apenas a aurora pode me salvar
E que inunde essa assombrosa casa do sono
Da solidão e das lágrimas de luz
E que espante os fantasmas
Sossegue meu coração demasiado pequeno e aflito
Afastem esses fantasmas que a noite avisa
Outra vida é tudo que preciso
Revelar os segredos guardados em mim
Que diminua a intensidade de sofrer
Acabe de vez com a mágoa que arrasto em mim
E por mais que eu tente
Ameaça nunca mais me deixar sentir a vida.
Brasília/DF, maio de 2007
