Quarta-feira, Setembro 26, 2007

INSONE

Insone

Sua intensidade, sua graça mudara a maré em mim

E nenhuma força lunar pôde reverter tanta dor

Uma noite cega: ou coisa pior

Um descuido que me faz sentir deprimido

Enquanto isso, insone, busco o ar

Penso ver meu futuro traçado na areia

Uma tarde como permanência

Como entalho na carne

Como a morte

E peço por um esquecimento tão profundo

Que termine em transfiguração

Apenas a aurora pode me salvar

E que inunde essa assombrosa casa do sono

Da solidão e das lágrimas de luz

E que espante os fantasmas

Sossegue meu coração demasiado pequeno e aflito

Afastem esses fantasmas que a noite avisa

Outra vida é tudo que preciso

Revelar os segredos guardados em mim

Que diminua a intensidade de sofrer

Acabe de vez com a mágoa que arrasto em mim

E por mais que eu tente

Ameaça nunca mais me deixar sentir a vida.

Brasília/DF, maio de 2007

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