Sexta-feira, Junho 02, 2006

Eu tenho duas mãos e o sentido da vida. Com uma eu tento segurar a tua, com a outra, seguro tudo o que não mais existe!!!

Cinzas de Dezembro nº 1

Cinzas de Dezembro nº 1

Eu descobri

Que sou um colecionador

De dezembros gelados

Um homem sem luz

E sem casa

Vivo desesperado

E embriagado

De recordações

Abatido pelas águas

Que brotam de meus olhos

Toda madrugada

Sempre me sinto triste

E penso que cheguei ao fim

Sinto que meus passos

Tornaram-se pesados

Quisera eu às vezes

Dominar o vento

Que invade o meu coração

E acabar com a imensa solidão

Que habita meu peito

Sem teu amor

Me sinto vazio e frio

É sempre inverno

No fundo de meu coração

E como se eu fosse dezembro

Me torno cinzas

E sei que um dia hás de sentir

Meu corpo

Mesmo sem vida

Junto ao teu

Abre a casa dos teus braços

Abre a casa dos teus braços

Poderia eu saber

Sentir

O calor

Dos teus beijos

Abomino essa emoção

Surda e palpitante

Essa emoção

Terrível e úmida

Perco o sono

E da janela

Vejo o vulto

Dos mortos

Eles me chamam

Abro a porta

Adeus

Um infinito

Sem nome

Um olhar

De silêncio

Uma cadência

De bocas fechadas

Mudas

Mortas

Silenciosas

Este é o tempo

Em que estou

Te rogo

Abre a casa

Dos teus braços

E uma única vez

Abraça-me

Os ossos de minha face

Estalam

Como se quisessem

Cantar uma canção

Ou algo dizer

É algo lento

E ao mesmo tempo

Profundo

Uma nota

Um nome

Sem ar

Forçosamente

Tenta romper

Minha garganta

Sangra

Não sinto mais

O meu coração

E meu peito se dilacera

É quando

Vejo

Tua presença

Sair

De dentro

De mim

E agora

Tudo

É

Escuridão

Vazio

Vazio


Lá fora

O vento teima

Por ausência

Como a falta

De portas

Para que

O deixem

Entrar

E que ele

Possa

Mostrar-se

A si mesmo

Aqui estou

Eu

A solidão

Constante do

Todo

À noite

Vazia

As intrínsecas

Emoções

Que me

Aguardam

A agonia

Chamada amar

É quando

Vejo

O vazio

Muito além

De mim

Mesmo

Tempo

Tempo


Não há noites

De vento sossegado

Nem luar que ilumine

Meus ossos

Quão estranho

É esse lugar

Onde descanso

Nunca a dor

Ocupou tanto

Espaço

Dentro de mim

Hoje

Não sei mais

Quem sou

Ontem

Já não sabia

E amanhã

Pressinto

O nada

Que se aproxima

De minha

Cama

Calma

Serena

A levar-me

O tempo

Alucinação

Alucinação


Um dia olhei em teus olhos

E vi que eles respiravam

E que de tuas costas

Emergia uma sombra

Decidi me aproximar

E tu

Costurasse as minhas mãos

E me dissesse palavras obscenas

Depois ficou uma semana inteira comigo

Você me amou

Me debilitou

Arrancou e dilacerou a minha alma

Dei voltas dentro do vazio

Meus olhos caíram

Dentro de tua boca

Ouvi teu grito

Te beijei

E tua boca mastigava

Os meus beijos

E naquele exato momento

Em que pensei sentir o amor

Mais forte que o vento

Você me disse adeus

E toda a dor do mundo

Desabou sobre meu peito largo

E desse vazio dia que ficou

Sinto a minha vida apagar-se

Permaneço vivo

Ainda que sem teu amor

Mas a cada passo que dou

Sinto que caminho

Sobre os restos de tua

Ausência

Absorção

Absorção


Já noto minuciosamente

Cada insinuação de desprezo da terra

Como qualquer prenúncio

De humilhação vindo do céu

Abro a caixa negra da alma

E percebo a indiferença das flores

Sinto o gosto amargo de tua boca

E vejo com simples olhos

A naturalidade com que me negas

O sangue de tuas veias

Tu vens e joga sal em meus olhos

Sinto que a minha amargura

Se deve a coisas pequenas

E sem importância

Pressinto que não é necessário ser deus

Para viver no inferno

A recordação não me serve para navegar

Somente para o naufrágio

Mesmo assim ainda creio

Tudo isso é meu esforço por coerência

E a única recordação que tenho

É que tudo que fui está perdido

Abuela

Abuela

Acordo e o céu está escuro

Recordo a morte de minha abuela

E vejo todos os espíritos que a rodeavam

Acendo uma vela

Vejo uma caixa negra

Nela há meu nome

Ouço o vento

As gotas de chuva

Sinto frio

E a imaginação me leva

Como é este lugar

Onde está minha avó

Morta

Sem hesitar

Abro a caixa

Sinto o peso da solidão

Sobre minhas costas

Mas meu rosto reflete uma

Solidão imensa

Quando vejo minha vó

Vir em minha direção

Amnésia

Amnésia

Não necessito de memórias para recordar

Minha vida não tem nome

Não há nada que mereça ser recordado

Houve um tempo em que sentia

As agulhas do vento em meu sangue

E os minutos eram para mim preciosos

Sobrevivo nessa selva onde renasço a cada dia

Sobreposto na palma de tua mão

Houve um tempo em que as palavras

Me saíam vivas como a água

Agora minha carne está morta

Sou como uma pedra

Que evoca a memória do tempo perdido

Houve um tempo em que me sentia pássaro

E voava

Mesmo sabendo que não possuía asas

Pensava eu que podia tocar teus beijos

Um amor à distância

Isolado

Morto

Absorto e perdido no vazio de amar

Logo me transformo em ar

Liberdade e angústia

Quando entro em mim

Vejo-me a morrer aos poucos

Sou um pássaro na gaiola

Agora a minha palavra evoca

Tantas coisas mudas

Não há nada

Só vazio

Maldita realidade

Como posso eu viver sem recordar?

Desertos

Desertos


Sou uma estátua de gelo

Frio

Quarto

Solidão

Chega à noite

Tenho desertos

Dentro de mim

Não há sangue

Em minhas veias

Só imensidão

Chove dentro de mim

Transbordo

Perco a calma

A alma

O silêncio

Me atordoa

Imagens desfiguradas

Saltam de meus olhos

Amanhece

Tenho oceanos

Dentro de mim

Tempestades

Violentas ondas

Novamente

Adentra a noite

Tenho desertos

Dentro de mim

Vagueio

Deliro

E na insistente

Vida que arrasto

Escrevo com meu sangue

O teu nome

E assim deixo a vida

E te digo adeus

Horas Mortas

Horas Mortas


Com seu vestido branco

E perfume de morte

Passeia a agonia

Pelas estreitas ruas

De minha vida

Com seu vestido negro

E perfume de passado

Passeia a angústia

Pelas estreitas ruas

Do meu penar

No caminho as duas

Encontram-se

Despem-se

E de mãos dadas

Ficam como loucas

A olhar o mar

Nesse dia a terra parou

No céu não havia estrelas

Nem luar

Esse foi o dia em que meu corpo

Desceu ao mar

Enquanto a vida

Me deixava

Pensei ter visto

Teu rosto

Sentido

Teu afago

Mas

Eu não podia mais

Voltar

Cinzas de Dezembro nº 2

Cinzas de Dezembro nº 2


Sinto e percebo

A ansiedade

Que me deixaram

As cinzas de dezembro

Imagens de um

Violento amor

Atrelado a uma vida

Sem rumo

Como as respostas

Que nunca terei

Destroços de meus

Ossos dispersos

É a vida

Que me falta

Não tenho respostas

Elas aparecem em

Idiomas incompreensíveis

Não me esforço

Por respostas

Hoje sei

Elas não me ajudariam

A recuperar o tempo

Que não volta

Teu sorriso

Teu Sorriso


Dá-me tua mão

E nada mais importa

O silêncio nos impede

Bocas fechadas

Retraídas

Monótono vácuo

Entre você e eu

Não há gesto

Algo se move

Posso ver teus lábios

Por cima

Do céu e do inferno

Então eles vêm

Abrindo-se como asas

É quando vejo

Teu sorriso

É isso já é suficiente

Palavra Velada

Palavra Velada


Ao abrir pela metade

O meu significado

Sinto algo que se move

Em demasia dentro de mim

É quando saio no mundo

Em busca de mim mesmo


Ao abrir meu corpo ao meio

Só encontro palavra velada

A minha alma escorre

E sai de mim

E para cada palavra

Que ponho no mundo

Encontro o vazio da dor

Sem alma

Me sinto só

Meu ser está oco

Meu coração ainda pulsa

Não tenho mais vida

E percebo

No vazio de meu eu

Que meu sangue

Virou veneno

Volta

Volta


Sinto uma maldição

Está vivendo em todas as partes

Lugares onde nunca estive

E onde nunca regressarei

Buscando o sentido de voltar

Submergir sem respirar

Dos lugares obscenos da alma

Despedaçar os pensamentos

Tudo acabar

Palavra por palavra

Não tenho morada

Nem repouso

Já não me possuo

Não tenho

A mim mesmo

Sigo vazio

Distante

Sangrando

Sem querer

Voltar

Morrendo

Por não saber

Ficar

Bocas Desunidas

Bocas Desunidas


Não consigo ir nem voltar

Seguro as emoções dos acontecimentos

Como estações que se abrem para mim

Há um desespero agudo

Atrás de cada porta

Que suprime o passar dos segundos

Procuro uma forma diferente de morrer

Acabar com tudo que carrego em mim

Sentar-me-ei sobre a noite escura

Alma já não possuo

Palavras é o que me restam

E quando o fim chegar

De mim só restará a boca

Numa espera aterradora

Da ausência de teus beijos

Espelho

Espelho

Adormeci sobre

Um leito de veneno

Acordei

Acorrentado a noite

Mordi o espelho

Que sangrava

Diante do outro

Percebi que estava

Morto

E mesmo que a

Vida

Me tenha faltado

Ainda sinto

A dor da

Solidão

Meu nome

Meu Nome

De ampulheta na mão

Com seu vestido negro

Montada no vento

E perfume de escuridão

Chega a noite

Batidas insistentes

Em minha janela

Calma

Em coma

Silenciosa

As horas

Se levantam

A solidão

Bate a porta

De meu peito

Estático

Pálido

Tácito

Remorsos

De uma vida inteira

Aos pedaços

Repouso sobre

O vazio de você

Meu sangue

Grita teu nome

Por onde passo

Tudo perde

A vida

Se esvai

As pedras

Mudam de lugar

Não há caminho

Só escuridão

E os restos de

Tua presença

Flores Mortas

Flores Mortas

Meus olhos vergam

Só vejo flores mortas

Árvores retorcidas

Agouro

Uma canção chamada

Saudade

Sigo amaldiçoando teu olhar

Tudo que toco

Vira pó

Meu corpo

Se dilacera

Renasço

A cada instante

Tenso

Um pássaro negro

Grita meu nome

Sem saber

Sentir

Sigo

Sem descobrir

Porque o amor

Foge

De

Mim

Alfinete

Alfinete

Trago comigo

Um coração angustiado

Tenho alguns amigos

Na cabeça de um alfinete

Tento ser

Tudo que sou

Mostrar-me

A mim mesmo

E nada me basta

A cada dia sinto

A dor mais forte

E meu coração

Sucumbe no vazio

Que é amar você

Uma imensa tristeza

Ocupa todos os

Meus espaços

Sigo inerte e só

A procura de algo

Mas como encontrar

O que não se busca?

Dentro de mim só há

Vazio e dor

Sangro sem saber porquê

Sofro sem querer saber

E sinto com as forças que me restam

Que o fio que me liga a vida

Muito em breve irá romper-se

O que encontrarei não sei

Apenas desejo que

O que me reserva

A falta da vida

Não me seja pior

Do que o vazio que vivo

E maior que a dor

Que hoje

Arrasto comigo

Quinta-feira, Junho 01, 2006

Da mesma matéria que é feito o sonho

A solidão arde em meu ser,

O ar que agora respiro, chama-se saudade.

E nas podres artérias do meu corpo vil.

Correm veneno e sangue negro,

Que aos poucos vão transformando-se em morte.

Não suporto mais viver.

Sinto uma angústia terrível e uma melancolia mordaz.

Calmo e sereno anseio a morte.

É...

Não sei amar.

Sei o que é estar só.

Hoje sinto na alma o que é a solidão.

E o tempo mostrou-me a tristeza que agora sinto.

Tenho sonhos negros que me fazem delirar.

Lembro dos teus lábios úmidos junto aos meus.

O teu corpo nu e suado a clamar o toque da minha língua ardente.

A explorar o teu pudor, o teu sexo.

Odeio a tudo isso,

Odeio esses momentos,

Mas não consigo te odiar.

Agora até a morte me odeia.

E eu, até quando arrastarei tanto sofrer.

Até quando o meu ego sustentará está mórbida e doentia lembrança dos momentos que ao teu lado vivi.

Como esquecê-los se tudo que eu vivi foi por você.

Não consigo suportar tanta dor.

O que farei?

Eu sou o próprio nada preenchido de vazio.

Sou a própria solidão manchada do viver maligno e angústias eternas.

Eu odeio o sonho.

Agora o meu nada antes vazio, torna-se febril e arrebatador.

Você foi um sonho,

Você veio em forma de sonho,

Para mim você é da mesma matéria que é feito o sonho.

O meu sonho perdeu-se no infinito do obscuro.

Agora mas do que nunca será triste o meu penar.

E no último sonho, feroz e sangrento.

Vi o teu olhar entre uma névoa macabra e dançante, onde ouço vozes de loucura insana.

E em meio a gritos de dor.

Eu vi a face da morte, e ela estava viva.

Abraçou-me e levou-me consigo para o além.

Para junto daqueles que se foram para sempre.

E você que agora lê, pôde sentir um pouco de uma desilusão arrogante e aterrorizante.

E saiba que...

Todos se afastam quando o mundo está errado.