Quarta-feira, Maio 31, 2006
O quarto
O quarto
Disfarçada em solidão.
E destes cantos vazios de ti,
Espreito o estreito de meu recanto,
Onde acalento o espanto a procura do rumo,
Que me fez perder o prumo do desejado esperar.
A tristeza mora em meu quarto,
Disfarçada em lágrimas.
Que escorrem das paredes,
Acompanhado o meu triste sofrer.
A solidão mora em meu quarto,
Disfarçada em imensidão.
Dorme comigo, vela meu sono,
E passeia em meus sonhos ausentes de ti.
A tua ausência mora em meu quarto,
Disfarçada em maldição.
Tira-me a calma, me enlouquece a alma,
Destes dias tediosos sem ti.
A saudade mora em meu quarto,
Sem disfarces a me olhar.
E ninguém é capaz de sentir,
A dor que arrasto escondida em mim.
E hoje não sei mais quem sou.
Sigo arrastando sofrimento, angústia e dor.
Além de tua maldita presença que em meu peito o teu amor cicatrizou...
Sou/um/ser/só/sem/ser/seu
Sou/um/ser/só/sem/ser/seu
Vestido de angústias eternas,
O meu amor adormeceu.
Triste e só,
Vivo e me abomino no próprio inferno de meu eu.
Insano ser sou eu,
Que torna vil tudo que toco.
Ouço ao longe a voz da solidão,
Eterna companheira.
Minha mente gira e girando me faz retornar;
Passado obscuro.
Imagens tuas recalcadas e refletidas em estilhaços do maldito espelho de minha vida.
Mas te peço que não te vás.
Pois sem você sou poço oco.
Sou parede sem reboco.
Sou concha vazia de quem o mar esqueceu.
Sou vela apagada.
Sou escuridão da madrugada.
Sou planta sem flor.
Sou coração sem mor.
Sou barco sem vela.
Sou pintor sem aquarela.
Sou vitrola sem tocar.
Sou noite sem luar.
Sou peixe fora do mar.
Sou poema sem rima.
Sou uma rua sem esquina.
Sou lagoa rasa.
Sou um pássaro sem asas sem poder voltar pra casa.
Sou um ser/só/sem/ser/seu.
“Mas meu amor!
Se quiseres voltar,
Volta não!
Porque me quebrastes em mil pedaços.”
O fim
O fim
O último olhar.
O último beijo.
O último abraço.
O último suspiro.
O último adeus.
Sou a última.
A última lágrima.
A última palavra.
A última canção.
A última estrela.
A última paixão.
Vejo o fim.
Vazio e escuridão.
Sinto o fim.
Testemunha e solidão.
Pressinto o fim.
Teu amor que é maldição.
Sou o fim.
Fui o fim.
E no fim deste fim sem fim...
Sempre amarei você.
Eternamente e até o fim.
Sexta-feira, Maio 26, 2006
O beco... bem vulgar
Estou ardendo em febre,
Tenho visões, elas me assustam.
E entre elas você encontra-se.
Vejo um beco.
Bem vulgar.
E nele estão as sombras da solidão.
Elas me perturbam e me trazem o sofrimento.
Minha vida resume-se em bagatelas.
Não tenho você...
Nunca terei você...
Mais uma vez o beco.
E no fim, escuridão.
Choro...
Sou um recalcado diante de ti.
Deliro...
E mais uma vez o beco.
E no fim está você.
Caminho sem caminho.
Vejo-me diante de ti.
Mas você não está lá.
O beco não tem saída.
Estou preso e angustiado.
O meu ego transpira veneno.
A solidão... Somente ela sorri pra mim.
Não posso sorrir pra ela.
Pois meu rosto dói quando sorrio.
Neste momento me agarro a solidão.
E ela não veio só.
Trouxe consigo algo que o meu ego não conseguiu compreender.
Deliro, e ouço uma voz macabra que me diz:
Estás só... Estarás sempre só...
Teu destino é a solidão.
Teu acalento é o sofrimento.
A solidão realmente me cai bem.
Só que agora ela veio camuflada de morte.
E me diz:
Morrerás sozinho e sofrendo...
Pois tu não podes amar...
Este dom não foi dado a ti...
Agora me sinto morrendo aos poucos.
E o beijo que sempre esperei, perdeu-se nas extremidades da saudade impassível.
Tudo isso em mim transpira.
Sou algo vivo, mas cheio de morte.
No beco, sinto-me vulgar, no escuro.
Você se foi... Você nunca veio...
Não passo de algo desprezível e mesquinho.
Não sei se amo-te ou odeio-te.
Sei que morrerei sozinho.
Perdi-me no beco e na sua escuridão.
Lágrimas de sangue negro mancharam a minha estúpida vida.
Neste momento de agonia Deus me sacuda.
Pois o fim chegou.
Senti um calafrio quando mais uma vez no beco entrei.
Meu ego suspirou.
E a morte me abraçou...
Sangue e Veneno
Sangue e Veneno
Dos jazigos perpétuos tento libertar-me.
Preso a tortuosas lembranças, choro lágrimas amargas de puro ódio.
A benevolência em mim existente fora destruída pela malignidade dos demônios que atormentam o meu triste viver.
No mar de sangue em que aprendi a navegar, meu barco naufragou e eu perdi o rumo.
No leito de veneno em que adormeci, tive os sonhos roubados pela morte.
Diante de tantas mágoas, não sei mais quem sou, e tudo que vejo é um desprezo podre apoderar-se do meu ego frívolo.
Durante os anos mórbidos e sangrentos de minha estúpida vida, bebi teu sangue, que passou a percorrer minhas veias exalando fétidas o veneno deixado por teu amor.
O vento cálido do inferno queima a minha face.
E em um momento de angústia profunda, um demônio que sangrava pelos olhos veio levar-me consigo.
Querendo esquecer-te, antes de ser consumido pelas chamas do ódio que até então eu mantinha preso, explodiu e libertou-se.
Gritei, e horrorizado abracei-me ao demônio.
Ele deu-me um punhal gelado, para que eu pudesse arrancar do peito este coração inciso e diáfano.
Sua voz macabra soava.
“Mata esta dor que te consome em lágrimas”.
Angustiado e só, lembrei-me de ti.
Não havia mais saídas...
E, para te esquecer,
Sentindo golpes de uma síncope maldita, percebi que o momento chegara.
É, bebi teu sangue, e te amei demais.
Com o peito amargurado, chorei o veneno desse amor letal.
Ardendo em chamas, vi a única e lúgubre maneira de te esvair de mim.
Tomei a decisão, e vi que era assim que eu poderia te esquecer.
É...
Cortei meus pulsos e deixei sangrar.
Pois só assim escorrestes de mim...
Por causa de você
Por causa de você
Vivo a calma turbulência,
De imagens vivas
Hospedando a morte.
É um canto macabro
Corpo a sangrar,
Alma podre mente doentia.
Lágrimas negras
Choram os olhos vis,
Mortos aos pensamentos,
Esvaem-se últimos lamentos,
Manchados de solidão.
Fúnebre torna-se a paixão
E o céu transforma-se em fúria,
E meus desejos agora são máculas.
Anseio a morte.
Vejo teu nome
Numa página escrita a sangue,
E vultos horrendos repelem-se contra mim.
Vejo a vida esvair-se.
E na tela negra da maldade,
Perdi o rumo e a emoção,
Quando com outro alguém te vi passar,
Vi um sentimento de culpa morto,
Solto no ar.
Amei-te de mais, e o sofrer permanece eterno.
As manchas serão perpétuas,
E o veneno que agora celebro.
Toma a minha vida,
Vida fraca e sem sentido.
Onde o nada foi preenchido
Com o vazio obscuro de um amor insano.
A morte abraça-me,
Não me sinto só.
Pois o meu mundo explodiu,
Por que deixei-o girar só em torno de você...
Que eu não sinta o meu coração
Que eu não sinta o meu coração
Manchado de solidão
Meu coração adormeceu.
O amor em mim existente apodreceu diante de uma espera angustiante em busca de alguém que nunca veio.
E quando veio não me amou,
Me abominou.
E nesta passagem medonha, demônios se levantem e arrastem em si fragmentos de loucura insana.
Que ecoem no vácuo aterrador e cuspam palavras de fogo em tua cara maldita.
Morras então a sofrer e a chorar.
Diante desta dor que viestes a me causar.
Que abra-se o chão a ferver e saíam todos os demônios do sétimo livro e arranquem de ti o último sopro de vida que te restar.
E clamando ao poder dos desesperados que apodreceram na espera de amar.
Tu acordarás do sono da morte negra.
E no aterrador sarcófago do teu caixão criaturas esguias com olhos a sangrar te farão companhia por toda a eternidade.
Para não sofrer e de dentro de mim te assassinar.
Rogo a maldição dos amores insanos.
QUE EU JÁ NÃO SINTA O MEU CORAÇÃO...
A última vez que te senti
A última vez que te senti
A dor da perda arde em meu ser.
Nunca soube por que te perdi.
Nesta medíocre realidade você nunca me pertenceu.
Apenas imaginei o gosto dos teus beijos.
O cheiro de tua pele.
O calor do teu corpo suado.
Talvez eu tenha tentado disfarçar a solidão e a tristeza...
Que se apoderaram de meu ego.
O medo que me alucina não é o de te encontrar.
Mas o de ver-te com outras pessoas.
Você chegou e invadiu a minha vida.
Deturpou meus pensamentos.
Despertaram meus sentimentos.
Sentimentos satânicos, misturados a uma louca paixão avassaladora.
Sofrerei ao te olhar nos olhos.
Sentir a tua reação.
Em mim a tristeza eterna transparecerá.
Viverei eternamente só.
Aprendi a cultivar a solidão, sei vivê-la.
Faz parte do meu lado que ainda vive.
Pois o outro lado já está morto.
Não lembro.
Mas se lembrasse tentaria esquecer.
Quinta-feira, Maio 25, 2006
Ilusão/viver/você
Ilusão/viver/você
Quantas vezes me vi eu a te buscar,
Meu coração sem vida,
Insistindo em te encontrar.
Repeti várias vezes: vem comigo como se morresse,
E ninguém viu que minha boca sangrava,
Ninguém viu que a minha boca misturava-se ao silêncio,
Sufocado pela angústia de saber nunca te ter.
Quando acordei vi que era sonho,
Senti o teu cheiro no ar,
Como brisa em noite de lua,
Como chuva em terra seca.
E mais uma vez via a tua sombra passar por mim,
E me vi só, sem voz nem pranto,
Sem lábios, sem estrelas, sem fim nem você...
Veleiros
Veleiros
Pensei talvez e porque não?
E vi o nosso sonho alto e forte...
E pensara que só a morte poderia nos separar.
Mas como o vento te vi me esquecer...
Novamente me vi só então.
Ah, como é vão...
Abismo, sem você e solidão...
Veleiros a navegar e eu sozinho no mundo volto a ficar...
Sem saber o que é e se ainda existe amor...
Penso que se me deixou tristeza, que me conforte dizendo adeus...
Que venha então e devolva-me o desejo de viver...
Ou mate de vez em mim este amor que cresce no escuro enlouquecido...
Vou seguindo e tentando te esquecer...
Para mais tarde, não tão longe, doidamente te lembrar...
Eu não queria...
Mas o peito a sangrar sabe que poderá ser sempre assim...
Quanto menos eu te quero recordar...
Mas a tua lembrança vazia arrasto para dentro de mim...
Medo de amar n.º III
Medo de amar n.º III
E lá encontrar você
A dilacerar o meu coração.
Tenho medo de entrar dentro de ti,
E lá não me encontrar,
E dilacerar o meu coração.
Tenho medo de não ter você,
Medo de te perder pra sempre.
E sempre recomeçar.
Medo de tudo perder.
Medo de tudo construir.
Outra vez, vez que outra.
Nenhuma vez.
Medo de não ser teu.
Medo de ser de outro.
Ou de nenhum.
Ou talvez nem de mim...
Tenho medo de entrar dentro de mim,
E de lá não mais me encontrar.
Medo de me perder.
E para sempre perder você.
Medo de para sempre sozinho ficar...
Resíduos do Medo
Resíduos do medo
Tenho medo da escuridão...
Deste amor que me ama em vão.
Tenho medo da altura.
E da infinita loucura que me sufoca a alma.
Tenho medo da morte.
Dos sonhos da mente que me perturbam a calma.
Tenho medo da solidão
no meio de tanta gente...
Tenho medo da falta de espaço
Para o amor que não é amor.
Tenho medo da dor que não posso sentir,
E que aos poucos está a me sufocar.
Tenho medo de falar a ti,
Sabendo que a mim não queres ouvir.
Tenho medo de me curar desta dor
Que viestes a me causar.
Temo e ao mesmo tempo te amo,
E te amando tremo de medo,
de me perder de mim e nunca mais poder me achar.
E para sempre permanecer sozinho,
Como se eu estivesse em um mar de rostos.










