Quinta-feira, Junho 01, 2006

Ontem, ela deitou-se ao meu lado

Ontem, ela deitou-se ao meu lado

No meio de uma névoa fúnebre habita o meu eu.

Há dias este insano coração vem apodrecendo.

E então, começo a pressentir o beijo frio da morte que congela minha alma.

No meio dos delírios mortos, macabros e alucinantes ela dança para me fazer chorar.

Envolta numa chama negra que alimenta a maldade.

A desilusão de voar rumo ao inferno me faz tremer.

Sinto um momento próximo que me corta ao meio,

Seu sorriso ecoa os quatro cantos da escuridão.

E os medos que sempre prendi, vão sendo libertados um a um.

Percebo que estou indo embora.

Em uma noite fria, onde uma lua negra, manchada de sangue das almas sofridas que morreram de tristeza, reinava no céu escuro.

Ela deitou-se a meu lado...

Deu-me um cálice e disse-me.

Beba!

Este é o veneno do teu sofrimento.

Irás morar comigo, onde habitam as mais terríveis criaturas.

Arrancarei a tua pele...

Costurarei as tuas pálpebras com arame farpado em brasa...

E te lançarei na chama da maldade eterna onde para sempre lamentarás ter escolhido amar.

Mergulhado nas chamas amargas da solidão, bebi o veneno e entreguei-me em seus braços.

Era a morte...

Ela abraçou-me e levou-me consigo para o leito de Hades...

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