Todas as mágoas existentes agora são libertadas.
E as angústias mordazes explodiram fétidas.
De tua paixão bebi o sangue.
Do teu amor, veneno enlouquecedor.
Jorra o gosto perfumado que retém a minha língua.
Agora arrasto comigo uma legião de desejos mortos.
Mórbido e infame quero alimentar-me de tuas carnes.
Quero sugar-te para dentro de mim.
O teu caminho eu vou abrir com as minhas próprias mãos.
E o desejo de unir-nos será fugaz.
Os nossos corpos se entrelaçarão rumo ao encontro macabro.
Nossas almas gritarão as agonias do mundo.
Unidos em um só sangue, tu morrerás.
E o ódio me fará tremer.
Pois se calar-me as vozes hediondas ecoarão os quatro cantos da escuridão da noite.
E se fará ouvir que o amor nasceu do ódio.
Falar-te de medo será em vão.
É...
Vem que eu te mostro outro mundo.
Baterás na porta.
E ela se abrirá.
Ao entrares jamais retornarás.
Pois eu sou o ósculo medonho de uma morte obsoleta.
Que venha então a tua alma a sangrar.
E o teu repouso será perpétuo.
Lágrimas de puro ódio escorrerão diante de tua face branca.
Tua face sem vida...
Tua boca morta...
E eu te beijarei como uma eternidade.
Cortarei meus pulsos.
Sangrando então, verei o veneno deixado por ti esvair-se de mim.

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