Quinta-feira, Junho 01, 2006

O ósculo medonho

O ósculo medonho

O amor agora é podre.

Todas as mágoas existentes agora são libertadas.

E as angústias mordazes explodiram fétidas.

De tua paixão bebi o sangue.

Do teu amor, veneno enlouquecedor.

Jorra o gosto perfumado que retém a minha língua.

Agora arrasto comigo uma legião de desejos mortos.

Mórbido e infame quero alimentar-me de tuas carnes.

Quero sugar-te para dentro de mim.

O teu caminho eu vou abrir com as minhas próprias mãos.

E o desejo de unir-nos será fugaz.

Os nossos corpos se entrelaçarão rumo ao encontro macabro.

Nossas almas gritarão as agonias do mundo.

Unidos em um só sangue, tu morrerás.

E o ódio me fará tremer.

Pois se calar-me as vozes hediondas ecoarão os quatro cantos da escuridão da noite.

E se fará ouvir que o amor nasceu do ódio.

Falar-te de medo será em vão.

É...

Vem que eu te mostro outro mundo.

Baterás na porta.

E ela se abrirá.

Ao entrares jamais retornarás.

Pois eu sou o ósculo medonho de uma morte obsoleta.

Que venha então a tua alma a sangrar.

E o teu repouso será perpétuo.

Lágrimas de puro ódio escorrerão diante de tua face branca.

Tua face sem vida...

Tua boca morta...

E eu te beijarei como uma eternidade.

Cortarei meus pulsos.

Sangrando então, verei o veneno deixado por ti esvair-se de mim.

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