Quinta-feira, Junho 01, 2006

No obscuro desejo de te amar

No obscuro desejo de te amar

A meia-noite a angústia se veste de branco e fica como louca a olhar o mar.

Diante de tanto sofrer vejo-te dizer adeus.

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar-te até o fim.

Para mim a tua presença é qualquer coisa entre a luz e a vida.

Sinto que em meu gesto existe o teu gesto.

E em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.

Quero arrancar a tua presença de minha pele.

Que então esta presença maldita que me alucina se perca no passado sem poder mais voltar.

Eu te deixarei.

Tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Beijarás outros lábios que não os meus.

O suor do teu corpo se unirá a outro.

Então...

Encostarei a minha face na face da noite.

E ouvirei o íntimo de tua voz.

Da lama negra que palpita no fundo do meu coração.

Surgiu a tua presença misteriosa.

Agora que conheci o íntimo de tuas palavras, quero então te odiar.

Preciso destruir a parte de meus sentimentos que insistem em te amar.

Em te possuir.

Beijar teu corpo, teu sexo.

Entregar-me a ti.

Mas tudo que me resta são tristes lamentações.

No oco amargo deste penar.

Sinto a tua voz amarga.

Tua voz medonha.

Que mata...

Que faz calar...

E no fim hediondo do desprezo.

Eu mato...

Eu como...

Eu bebo...

E guardo o teu segredo...

Mas não posso te perdoar!

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