No obscuro desejo de te amar
Diante de tanto sofrer vejo-te dizer adeus.
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar-te até o fim.
Para mim a tua presença é qualquer coisa entre a luz e a vida.
Sinto que em meu gesto existe o teu gesto.
E em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero arrancar a tua presença de minha pele.
Que então esta presença maldita que me alucina se perca no passado sem poder mais voltar.
Eu te deixarei.
Tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Beijarás outros lábios que não os meus.
O suor do teu corpo se unirá a outro.
Então...
Encostarei a minha face na face da noite.
E ouvirei o íntimo de tua voz.
Da lama negra que palpita no fundo do meu coração.
Surgiu a tua presença misteriosa.
Agora que conheci o íntimo de tuas palavras, quero então te odiar.
Preciso destruir a parte de meus sentimentos que insistem em te amar.
Em te possuir.
Beijar teu corpo, teu sexo.
Entregar-me a ti.
Mas tudo que me resta são tristes lamentações.
No oco amargo deste penar.
Sinto a tua voz amarga.
Tua voz medonha.
Que mata...
Que faz calar...
E no fim hediondo do desprezo.
Eu mato...
Eu como...
Eu bebo...
E guardo o teu segredo...
Mas não posso te perdoar!

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