Quinta-feira, Junho 01, 2006

Da mesma matéria que é feito o sonho

A solidão arde em meu ser,

O ar que agora respiro, chama-se saudade.

E nas podres artérias do meu corpo vil.

Correm veneno e sangue negro,

Que aos poucos vão transformando-se em morte.

Não suporto mais viver.

Sinto uma angústia terrível e uma melancolia mordaz.

Calmo e sereno anseio a morte.

É...

Não sei amar.

Sei o que é estar só.

Hoje sinto na alma o que é a solidão.

E o tempo mostrou-me a tristeza que agora sinto.

Tenho sonhos negros que me fazem delirar.

Lembro dos teus lábios úmidos junto aos meus.

O teu corpo nu e suado a clamar o toque da minha língua ardente.

A explorar o teu pudor, o teu sexo.

Odeio a tudo isso,

Odeio esses momentos,

Mas não consigo te odiar.

Agora até a morte me odeia.

E eu, até quando arrastarei tanto sofrer.

Até quando o meu ego sustentará está mórbida e doentia lembrança dos momentos que ao teu lado vivi.

Como esquecê-los se tudo que eu vivi foi por você.

Não consigo suportar tanta dor.

O que farei?

Eu sou o próprio nada preenchido de vazio.

Sou a própria solidão manchada do viver maligno e angústias eternas.

Eu odeio o sonho.

Agora o meu nada antes vazio, torna-se febril e arrebatador.

Você foi um sonho,

Você veio em forma de sonho,

Para mim você é da mesma matéria que é feito o sonho.

O meu sonho perdeu-se no infinito do obscuro.

Agora mas do que nunca será triste o meu penar.

E no último sonho, feroz e sangrento.

Vi o teu olhar entre uma névoa macabra e dançante, onde ouço vozes de loucura insana.

E em meio a gritos de dor.

Eu vi a face da morte, e ela estava viva.

Abraçou-me e levou-me consigo para o além.

Para junto daqueles que se foram para sempre.

E você que agora lê, pôde sentir um pouco de uma desilusão arrogante e aterrorizante.

E saiba que...

Todos se afastam quando o mundo está errado.

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