O ar que agora respiro, chama-se saudade.
E nas podres artérias do meu corpo vil.
Correm veneno e sangue negro,
Que aos poucos vão transformando-se em morte.
Não suporto mais viver.
Sinto uma angústia terrível e uma melancolia mordaz.
Calmo e sereno anseio a morte.
É...
Não sei amar.
Sei o que é estar só.
Hoje sinto na alma o que é a solidão.
E o tempo mostrou-me a tristeza que agora sinto.
Tenho sonhos negros que me fazem delirar.
Lembro dos teus lábios úmidos junto aos meus.
O teu corpo nu e suado a clamar o toque da minha língua ardente.
A explorar o teu pudor, o teu sexo.
Odeio a tudo isso,
Odeio esses momentos,
Mas não consigo te odiar.
Agora até a morte me odeia.
E eu, até quando arrastarei tanto sofrer.
Até quando o meu ego sustentará está mórbida e doentia lembrança dos momentos que ao teu lado vivi.
Como esquecê-los se tudo que eu vivi foi por você.
Não consigo suportar tanta dor.
O que farei?
Eu sou o próprio nada preenchido de vazio.
Sou a própria solidão manchada do viver maligno e angústias eternas.
Eu odeio o sonho.
Agora o meu nada antes vazio, torna-se febril e arrebatador.
Você foi um sonho,
Você veio em forma de sonho,
Para mim você é da mesma matéria que é feito o sonho.
O meu sonho perdeu-se no infinito do obscuro.
Agora mas do que nunca será triste o meu penar.
E no último sonho, feroz e sangrento.
Vi o teu olhar entre uma névoa macabra e dançante, onde ouço vozes de loucura insana.
E em meio a gritos de dor.
Eu vi a face da morte, e ela estava viva.
Abraçou-me e levou-me consigo para o além.
Para junto daqueles que se foram para sempre.
E você que agora lê, pôde sentir um pouco de uma desilusão arrogante e aterrorizante.
E saiba que...
Todos se afastam quando o mundo está errado.

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