Sexta-feira, Junho 02, 2006

Abre a casa dos teus braços

Abre a casa dos teus braços

Poderia eu saber

Sentir

O calor

Dos teus beijos

Abomino essa emoção

Surda e palpitante

Essa emoção

Terrível e úmida

Perco o sono

E da janela

Vejo o vulto

Dos mortos

Eles me chamam

Abro a porta

Adeus

Um infinito

Sem nome

Um olhar

De silêncio

Uma cadência

De bocas fechadas

Mudas

Mortas

Silenciosas

Este é o tempo

Em que estou

Te rogo

Abre a casa

Dos teus braços

E uma única vez

Abraça-me

Os ossos de minha face

Estalam

Como se quisessem

Cantar uma canção

Ou algo dizer

É algo lento

E ao mesmo tempo

Profundo

Uma nota

Um nome

Sem ar

Forçosamente

Tenta romper

Minha garganta

Sangra

Não sinto mais

O meu coração

E meu peito se dilacera

É quando

Vejo

Tua presença

Sair

De dentro

De mim

E agora

Tudo

É

Escuridão

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