Abre a casa dos teus braços
Poderia eu saber
Sentir
O calor
Dos teus beijos
Abomino essa emoção
Surda e palpitante
Essa emoção
Terrível e úmida
Perco o sono
E da janela
Vejo o vulto
Dos mortos
Eles me chamam
Abro a porta
Adeus
Um infinito
Sem nome
Um olhar
De silêncio
Uma cadência
De bocas fechadas
Mudas
Mortas
Silenciosas
Este é o tempo
Em que estou
Te rogo
Abre a casa
Dos teus braços
E uma única vez
Abraça-me
Os ossos de minha face
Estalam
Como se quisessem
Cantar uma canção
Ou algo dizer
É algo lento
E ao mesmo tempo
Profundo
Uma nota
Um nome
Sem ar
Forçosamente
Tenta romper
Minha garganta
Sangra
Não sinto mais
O meu coração
E meu peito se dilacera
É quando
Vejo
Tua presença
Sair
De dentro
De mim
E agora
Tudo
É
Escuridão

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