Sou/um/ser/só/sem/ser/seu
Vestido de angústias eternas,
O meu amor adormeceu.
Triste e só,
Vivo e me abomino no próprio inferno de meu eu.
Insano ser sou eu,
Que torna vil tudo que toco.
Ouço ao longe a voz da solidão,
Eterna companheira.
Minha mente gira e girando me faz retornar;
Passado obscuro.
Imagens tuas recalcadas e refletidas em estilhaços do maldito espelho de minha vida.
Mas te peço que não te vás.
Pois sem você sou poço oco.
Sou parede sem reboco.
Sou concha vazia de quem o mar esqueceu.
Sou vela apagada.
Sou escuridão da madrugada.
Sou planta sem flor.
Sou coração sem mor.
Sou barco sem vela.
Sou pintor sem aquarela.
Sou vitrola sem tocar.
Sou noite sem luar.
Sou peixe fora do mar.
Sou poema sem rima.
Sou uma rua sem esquina.
Sou lagoa rasa.
Sou um pássaro sem asas sem poder voltar pra casa.
Sou um ser/só/sem/ser/seu.
“Mas meu amor!
Se quiseres voltar,
Volta não!
Porque me quebrastes em mil pedaços.”

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