Sexta-feira, Maio 26, 2006

Sangue e Veneno

Sangue e Veneno

Dos jazigos perpétuos tento libertar-me.

Preso a tortuosas lembranças, choro lágrimas amargas de puro ódio.

A benevolência em mim existente fora destruída pela malignidade dos demônios que atormentam o meu triste viver.

No mar de sangue em que aprendi a navegar, meu barco naufragou e eu perdi o rumo.

No leito de veneno em que adormeci, tive os sonhos roubados pela morte.

Diante de tantas mágoas, não sei mais quem sou, e tudo que vejo é um desprezo podre apoderar-se do meu ego frívolo.

Durante os anos mórbidos e sangrentos de minha estúpida vida, bebi teu sangue, que passou a percorrer minhas veias exalando fétidas o veneno deixado por teu amor.

O vento cálido do inferno queima a minha face.

E em um momento de angústia profunda, um demônio que sangrava pelos olhos veio levar-me consigo.

Querendo esquecer-te, antes de ser consumido pelas chamas do ódio que até então eu mantinha preso, explodiu e libertou-se.

Gritei, e horrorizado abracei-me ao demônio.

Ele deu-me um punhal gelado, para que eu pudesse arrancar do peito este coração inciso e diáfano.

Sua voz macabra soava.

“Mata esta dor que te consome em lágrimas”.

Angustiado e só, lembrei-me de ti.

Não havia mais saídas...

E, para te esquecer,

Sentindo golpes de uma síncope maldita, percebi que o momento chegara.

É, bebi teu sangue, e te amei demais.

Com o peito amargurado, chorei o veneno desse amor letal.

Ardendo em chamas, vi a única e lúgubre maneira de te esvair de mim.

Tomei a decisão, e vi que era assim que eu poderia te esquecer.

É...

Cortei meus pulsos e deixei sangrar.

Pois só assim escorrestes de mim...

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