Estou ardendo em febre,
Tenho visões, elas me assustam.
E entre elas você encontra-se.
Vejo um beco.
Bem vulgar.
E nele estão as sombras da solidão.
Elas me perturbam e me trazem o sofrimento.
Minha vida resume-se em bagatelas.
Não tenho você...
Nunca terei você...
Mais uma vez o beco.
E no fim, escuridão.
Choro...
Sou um recalcado diante de ti.
Deliro...
E mais uma vez o beco.
E no fim está você.
Caminho sem caminho.
Vejo-me diante de ti.
Mas você não está lá.
O beco não tem saída.
Estou preso e angustiado.
O meu ego transpira veneno.
A solidão... Somente ela sorri pra mim.
Não posso sorrir pra ela.
Pois meu rosto dói quando sorrio.
Neste momento me agarro a solidão.
E ela não veio só.
Trouxe consigo algo que o meu ego não conseguiu compreender.
Deliro, e ouço uma voz macabra que me diz:
Estás só... Estarás sempre só...
Teu destino é a solidão.
Teu acalento é o sofrimento.
A solidão realmente me cai bem.
Só que agora ela veio camuflada de morte.
E me diz:
Morrerás sozinho e sofrendo...
Pois tu não podes amar...
Este dom não foi dado a ti...
Agora me sinto morrendo aos poucos.
E o beijo que sempre esperei, perdeu-se nas extremidades da saudade impassível.
Tudo isso em mim transpira.
Sou algo vivo, mas cheio de morte.
No beco, sinto-me vulgar, no escuro.
Você se foi... Você nunca veio...
Não passo de algo desprezível e mesquinho.
Não sei se amo-te ou odeio-te.
Sei que morrerei sozinho.
Perdi-me no beco e na sua escuridão.
Lágrimas de sangue negro mancharam a minha estúpida vida.
Neste momento de agonia Deus me sacuda.
Pois o fim chegou.
Senti um calafrio quando mais uma vez no beco entrei.
Meu ego suspirou.
E a morte me abraçou...

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