Sexta-feira, Maio 26, 2006

O beco... bem vulgar

O beco... bem vulgar

Estou ardendo em febre,

Tenho visões, elas me assustam.

E entre elas você encontra-se.

Vejo um beco.

Bem vulgar.

E nele estão as sombras da solidão.

Elas me perturbam e me trazem o sofrimento.

Minha vida resume-se em bagatelas.

Não tenho você...

Nunca terei você...

Mais uma vez o beco.

E no fim, escuridão.

Choro...

Sou um recalcado diante de ti.

Deliro...

E mais uma vez o beco.

E no fim está você.

Caminho sem caminho.

Vejo-me diante de ti.

Mas você não está lá.

O beco não tem saída.

Estou preso e angustiado.

O meu ego transpira veneno.

A solidão... Somente ela sorri pra mim.

Não posso sorrir pra ela.

Pois meu rosto dói quando sorrio.

Neste momento me agarro a solidão.

E ela não veio só.

Trouxe consigo algo que o meu ego não conseguiu compreender.

Deliro, e ouço uma voz macabra que me diz:

Estás só... Estarás sempre só...

Teu destino é a solidão.

Teu acalento é o sofrimento.

A solidão realmente me cai bem.

Só que agora ela veio camuflada de morte.

E me diz:

Morrerás sozinho e sofrendo...

Pois tu não podes amar...

Este dom não foi dado a ti...

Agora me sinto morrendo aos poucos.

E o beijo que sempre esperei, perdeu-se nas extremidades da saudade impassível.

Tudo isso em mim transpira.

Sou algo vivo, mas cheio de morte.

No beco, sinto-me vulgar, no escuro.

Você se foi... Você nunca veio...

Não passo de algo desprezível e mesquinho.

Não sei se amo-te ou odeio-te.

Sei que morrerei sozinho.

Perdi-me no beco e na sua escuridão.

Lágrimas de sangue negro mancharam a minha estúpida vida.

Neste momento de agonia Deus me sacuda.

Pois o fim chegou.

Senti um calafrio quando mais uma vez no beco entrei.

Meu ego suspirou.

E a morte me abraçou...

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